Dia da Mulher: o turismo é feminino, mas quantas estão em cargos de liderança?

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Em uma sociedade na qual ser mulher já representa, por si só, um grande desafio, o turismo destaca-se como um setor do mercado que possui gênero e número bem definidos. Segundo pesquisa do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), são as mulheres que representam a maioria dos profissionais da área em nível global, sendo responsáveis por 54% da força de trabalho no setor. No Brasil, reflexo do contexto mundial, elas ocupam 49% dos empregos característicos do turismo, de acordo com dados do Ministério do Trabalho.

A aparente igualdade nos números, contudo, não significa necessariamente que a participação das mulheres representa, de fato, um protagonismo feminino no turismo. Isso porque, assim como em muitas outras áreas, o acesso aos cargos de gestão e liderança ainda mostram-se restritos quase que exclusivamente aos homens, de modo que, para as mulheres, a trajetória rumo ao crescimento profissional ainda apresenta grandes desafios relacionados às questões de gênero.

Quem sentiu na pele essas dificuldades foi a empresária Joselia Gärtner De Freitas, Diretora Comercial à frente da Turismo DKlassen - agência curitibana com mais de 40 anos de expertise no mercado. Para a profissional, o turismo e o empreendedorismo sempre estiveram no DNA, mas antes de assumir o negócio da família junto com seus irmãos, após o falecimento de seu pai, em 2021, a profissional teve que conciliar sua carreira e ambições profissionais com a maternidade:

“Eu fui mãe muito cedo, então o grande dilema sempre esteve entre priorizar as necessidades deles sem deixar de lado a minha carreira. Não me arrependo, de forma alguma, mas só quem é mãe sabe que a maternidade é um trabalho por si só, e equilibrar com a vida profissional, muitas vezes, significa jornadas duplas ou triplas de trabalho para as mulheres”, ressalta Joselia.

Por influência de seu pai, o turismo sempre fez parte da vida de Joselia, o que não a impediu de buscar cada vez mais conhecimento sobre o setor por conta própria. Com passagem por uma agência de turismo multinacional, a empresária acumulou grande expertise na área de turismo corporativo. Por intermédio desta agência, no Brasil, Joselia atuou no setor interno de viagens de empresas como a Volvo, Kraft Foods e CNH New Holland; já na Alemanha, país em que reside atualmente, ela trabalhou, por essa mesma agência, no setor de viagens corporativas da Adidas, responsável por atender todas as demandas da companhia na Europa.

Tais experiências contribuíram para o desafio futuro de gerir a agência familiar e trouxeram subsídios para que ela pudesse realizar outros empreendimentos, inclusive na Alemanha, onde possui outras empresas nas áreas de tecnologia e engenharia. Apesar de reconhecer que ainda existem muitas barreiras no mercado de trabalho, Joselia vê com otimismo a inclusão das mulheres, especialmente no turismo:

“É inegável que ainda existe muito preconceito e questionamentos sobre as habilidades profissionais das mulheres”, pontua. “Mas, no turismo, vejo que esse cenário tem mudado bastante e talvez seja por isso que eu seja tão apegada ao setor. Trata-se de um ramo bem feminino, no qual a mulher é respeitada e valorizada e, cada vez mais, oportunidades têm sido criadas para o crescimento profissional do público feminino”.

De fato, a inclusão tem sido pauta latente de discussão dentro do setor, o que tem colaborado para a maior participação das mulheres: pesquisa divulgada neste ano pela WTTC, mostra que, na última década, o turismo empregou diretamente um número crescente de mulheres, passando de 38,6 milhões para 47,8 milhões de trabalhadoras entre 2010 e 2019 - um aumento de 24%.

Na DKlassen, por exemplo, a participação feminina é expressiva: cerca de 80% da equipe da agência é de mulheres, ocupando cargos que vão de agente de viagem à diretora financeira. Segundo Joselia, mais do que empregar, é necessário criar oportunidades reais de crescimento profissional que contribuam para um verdadeiro protagonismo feminino no mercado de trabalho:

“Como mulher e mãe, senti na pele as dificuldades de trabalhar e empreender em um mercado de trabalho que, muitas vezes, questiona minhas capacidades pelo simples fato de eu ser mulher ou de ter filhos. É preciso quebrar esses estereótipos, dando espaço e oportunidades concretas para que as mulheres não apenas participem, visto que já somos a maioria no turismo, mas que sejamos protagonistas e responsáveis pelas tomadas de decisão. Mulheres envolvidas no turismo trazem perspectivas únicas e impulsionam a inovação no setor”, finaliza.


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