Dia Mundial da Tuberculose alerta sobre consequências à saúde e necessidade de definição de políticas públicas e de prevenção

Divulgação


A fim de alertar a população sobre as consequências devastadoras para a saúde, assim como sociais e econômicas da doença, a cada ano, em 24 de março celebra-se o Dia Mundial da Tuberculose. Criada em 1982, a data integra o calendário de campanhas globais oficiais de saúde pública empreendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados da OMS revelam que o Brasil lidera, em números absolutos, as incidências de casos de tuberculose nas Américas, totalizando mais de 33% das notificações. Além disso, o país compõe o grupo das 20 nações com maior número de novas notificações da doença no mundo. Embora seja uma enfermidade passível de ser prevenida, tratada e mesmo curada, ainda mata quase cinco mil pessoas todos os anos no Brasil. 

É importante ressaltar que, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cada paciente com tuberculose pulmonar, que não se trata, pode infectar em média de 10 a 15 pessoas por ano. 

Quando se olha para o Ceará, conforme a Planilha de Notificação Semanal (PNS), emitida pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), só no acumulado das dez primeiras semanas de 2024, já foram confirmados 540 casos da doença, com 18 pacientes tendo vindo a óbito.

Reflexo das desigualdades econômicas e sociais

Segundo Álvaro Madeira Neto, médico sanitarista e gestor em saúde, a tuberculose é uma doença que revela o quanto a saúde está interligada a questões econômicas e sociais, tais como a pobreza e a má distribuição de renda, especialmente em locais menos favorecidos, com condições sanitárias precárias.

“No mundo, a tuberculose permanece como uma causa importante de morte entre as doenças infecciosas. Isso acontece não só porque o bacilo causador da doença é resistente, mas também porque os esforços para combatê-lo se deparam com barreiras como a pobreza, a desigualdade e o acesso limitado a serviços de saúde de qualidade. Desse modo, a tuberculose se faz mais presente onde a vulnerabilidade social e econômica é maior”, afirma.

No Brasil, emenda o especialista, essa realidade não é diferente, com a doença refletindo as nossas desigualdades, afetando com mais intensidade as populações em situação de vulnerabilidade. “Isso inclui as pessoas que vivem nas ruas, em presídios ou têm outras doenças que comprometem o sistema imunológico como HIV/AIDS”, explica.

Portanto, Madeira Neto expõe que os números mostram uma maior incidência da doença em regiões mais pobres e nos grandes centros urbanos, com suas periferias densamente povoadas e condições de vida precárias. 

Especificamente falando do Ceará, ele aponta que o Estado reflete tanto o quadro nacional quanto aspectos particulares que demandam uma atenção redobrada dos nossos gestores e profissionais de saúde sobre a necessidade de definição de políticas públicas e adoção de medidas preventivas contra a enfermidade.

“O desafio é grande e passa não apenas pelo diagnóstico precoce e tratamento eficaz, mas também por uma luta constante contra as causas sociais que alimentam a persistência da tuberculose”, conclui.

Divulgação



Transmissão e sintomas da tuberculose

A tuberculose é uma doença causada por um bacilo que afeta principalmente os pulmões e que pode se agravar, sem diagnóstico precoce e tratamento adequado, culminando com a morte do paciente. 

A transmissão da tuberculose ocorre pelas vias aéreas superiores (ao tossir, espirrar ou falar), por pessoas doentes e que não estão em tratamento. 

Os principais sintomas são o surgimento de uma tosse persistente, com ou sem a presença de secreção, perda acentuada de peso, febre no período da tarde e suor excessivo no período noturno.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza para a população a vacina BCG. Esse imunizante não oferece eficácia de 100% na prevenção da tuberculose pulmonar, mas sua aplicação em massa permite a prevenção de formas graves da doença nas crianças. 

A aplicação da vacina é indicada para crianças de até 5 anos de idade. Para os adultos, a prevenção é feita por meio do tratamento da infecção latente (situação em que a doença ainda não desenvolveu). 



Postar um comentário

0 Comentários